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Ilha do Cardoso – Litoral Sul de São Paulo

Mais difícil do que chegar à Ilha do Cardoso é a vontade de ir embora.

A ilha do Cardoso é um daqueles lugares raros de se encontrar atualmente. Visitamos no carnaval de 2017 e ficamos totalmente encantados com a beleza do lugar e principalmente com seus moradores. Há diversos núcleos, ficamos no Marujá, que é o maior, e de lá fizemos alguns passeios de barco. Mas realmente seus moradores foram o ponto alto da nossa visita.

AQUI VOCÊ É TRATADO COMO UM AMIGO. Todos muito educados, simpáticos e receptivos. Não há aquela atmosfera que geralmente vemos em outros locais em que a sensação que dá é que se quer ganhar dinheiro e tirar proveito dos visitantes a todo o momento. Aqui não. Todos te tratam com muita amizade e respeito, te deixando à vontade e com a sensação de que já é de casa.

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E consequentemente, com uma comunidade dessas, vemos UMA ILHA MUITO BEM PRESERVADA. Chama a atenção o carinho que os moradores tem com a sua ilha. Você não vê lixo nas ruas ou trilhas, tudo sempre muito gramadinho e roçado. Não há mato alto e as casas todas muito bem cuidadas com muito capricho e carinho. As crianças brincam sem medo nas ruas e conseguimos sentir toda essa atmosfera especial.

E olha que fomos no carnaval!!! Época em que o turismo toma conta dos lugares de uma forma muitas vezes desordenada e que se quer ganhar a qualquer custo. A Ilha do Cardoso não é assim… é especial!!!

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A ODISSEIA SAINDO DO RIO DE JANEIRO

Saímos do Rio de Janeiro aproximadamente às 22 horas da sexta de carnaval e só chegamos em Cananéia praticamente 12 horas depois. Passamos por dentro de São Paulo e depois pegamos a Regis Bittencourt. Depois de MUITOS PEDÁGIOS (aproximadamente 10), MUITOS RADARES DE VELOCIDADE (cuidado pra não perder a carteira!!! RS) e um mega engarrafamento (chegamos a dormir 3 horas dentro do carro pra ver se o engarrafamento passava… mas ele só aumentou. Estrada está sofrendo duplicação), chegamos em CANANÉIA QUE É A PORTA DE ENTRADA DO CARDOSO e demais ilhas da região.

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Cananéia já é uma cidadezinha muito bonita, com casas antigas e coloridas com boa estrutura. De lá há uma balsa para atravessar os carros para o continente que é a forma mais rápida de chegar. A outra forma é pela estrada atravessando a ponte, o que não achei demorado. Toda a viagem é feita em estradas muito boas e sinalizadas. Pelo menos faz a quantidade absurda de pedágios doer menos na consciência, porque no bolso dói “doído”: aproximadamente R$70,00 de pedágio do Rio até a Cananéia.

Em Cananéia há alguns ESTACIONAMENTOS pagos (variam diária de R$10 a R$25) e alguns estacionamentos públicos. Conversando com a Guarda Municipal de lá e alguns barqueiros, acabei deixando na rua mesmo, perto de uma das maiores pousadas, o que foi bem tranquilo e mais uma economia.

Achar o ponto de ONDE SAEM OS BARCOS não é difícil, basta perguntar. O valor da lanchinha está em média R$70,00 cada viagem (ida e volta R$140,00 – preço do carnaval de 2017) e se leva em média 1 hora para atravessar.

Na travessia, principalmente de manhãzinha e fim de tarde, não é difícil ver famílias de botos cinza bem próximos aos barcos. É uma atração à parte!!! Vemos também muitos pássaros, como o Guará de penas vermelhas.

Algumas escunas grandes fazem essa travessia, mas se demora em média 3 horas. Como já estávamos com muita pressa de chegar nesse paraíso, optamos pela lanchinha de fibra.

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A ILHA DO CARDOSO FICA ENTRE O RIO E O MAR. No rio, de água salobra, há uma imensidão de manguezais. A navegação até o Cardoso é linda. A sensação é que estamos em algum ambiente amazônico, com um rio enorme e muito bem conservado, repleto de mangues em suas margens e montanhas cheias de Mata Atlântica exuberante e muito bem preservada. A cada curva que o barco faz no rio é uma surpresa e uma paisagem de tirar o fôlego!!!

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Inclusive essa grande extensão de manguezais é um dos principais fatores pelo Cardoso e região ter uma fauna marinha tão rica e diversa. Esses manguezais formam um verdadeiro berçário gigante da vida marinha.

A praia da Ilha do Cardoso parece não ter fim. Mesmo no carnaval conseguimos ficar sozinhos em diversos trechos da praia. De vez em quando alguém passa de bicicleta ou caminhando. A praia é rasa e com ondas. Mas no raso formam pequenas piscinas ótimas para crianças. São quilômetros de extensão de uma praia linda, acompanhada todo o tempo por vegetação de restinga e praticamente deserta. As chances de ter um trecho de praia apenas seu é enorme!!!

Em Marujá que é o maior núcleo populacional da ilha, e consequentemente o que oferece maior estrutura, há diversas POUSADINHAS, CASAS DE MORADORES E CAMPINGS.

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NÃO HÁ MUITAS OPÇÕES PARA SE COMPRAR MANTIMENTOS, como mercearias e padarias. Algumas pousadas e bares vendem alguns itens, ou seja, leve o que puder do continente, sai mais em conta, inclusive bebida se puder levar.

Alguns moradores cedem cooler ou isopor para bebidas, e o Geovane vende gelo. Mas é bom confirmar com os donos da casa ou camping em que você ficará.

Os campings são no quintal dos moradores e cada morador só pode colocar 5 barracas em seu terreno. Sempre com estrutura de banheiro e cozinha externos para uso dos campistas. Essa medida é do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, operado pelo governo do Estado de São Paulo, que aparenta ser bastante competente nesse controle e preservação da ilha. Tanto que na ilha só se pode ter mil visitantes por dia.

PROCURE SABER ANTES ONDE FICA A CASA OU CAMPING QUE VOCÊ VAI FICAR, pois tem pontos bem distantes. Nós, por exemplo, ficamos a 20 minutos a pé do centrinho da vila, o que foi muito bom porque conseguimos curtir muito a trilha, inclusive à noite. Lembrando que muitos pontos não tem iluminação. Então NÃO DEIXE DE LEVAR LANTERNA. Iluminação pública não existe. A iluminação é feita pela casa dos moradores, que tem energia através de geradores. Na ilha não há qualquer tipo de carro. Só nos movimentamos a pé, por barco ou bicicletas, que é um grande adianto.

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O aluguel da bicicleta estava R$5,00 a hora e R$50,00 o dia inteiro. Vimos pessoas que alugavam por dias, principalmente quem estava mais distante para poder se locomover com mais rapidez, inclusive para o centrinho à noite. De bicicleta dá para andar nas trilhas e também pela praia, que tem areia bastante dura.

Inclusive, um dos passeios mais procurados do Cardoso é ir de bicicleta ao Pontal do Sul, onde o rio encontra com o mar. É um verdadeiro espetáculo. No caminho encontra-se a comunidade da enseada da Baleia, onde há artesanato e produtos naturais feito pelos moradores e um projeto bem interessante de incentivo a essa atividade com os moradores locais.

Quando se alcança o Pontal, não pense que chegou ao fim. Depois de dar um mergulho e aproveitar um pouco, siga mais um pouquinho até o barzinho das mulheres. Lá se vende artesanato, o local e é operado 100% por mulheres da região. É uma ótima pedida para comer algo, tomar uma cervejinha e dar uma relaxada depois do passeio de bicicleta.

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Não se esqueça de levar água e algo para matar a fome, pois o caminho é bastante longo e praticamente só tem a enseada da Baleia e o bar das mulheres para abastecer. São quilômetros de praia praticamente deserta!!!

A barra do rio forma diversas piscinas naturais no seu encontro com o mar quando a maré está baixa. Mas TOME MUITO CUIDADO para a maré não subir e te deixar preso. É tão bonito, e gostoso ficar nesse lugar, que a maré pode te surpreender e te deixar isolado. Com isso há até o risco de afogamento.

Voltando a vila e nosso passeio de bike… Do lado esquerdo da praia saindo da vila há a possibilidade de ir até o costão, o que é muito bonito também.

Os passeios de barco duram o dia inteiro e o mais procurado é esse que vai até o Pontal do Sul. No que fizemos, a única atração que não teríamos conhecido caso fossemos de bicicleta seria a cidade Fantasma, fora isso o passeio de barco passa pelos mesmos lugares do de bike. A diferença é que de bike você consegue ficar no seu tempo e aproveitar mais do seu jeito.

A Cidade Fantasma é um pequeno vilarejo abandonado. Na verdade só tem um morador atualmente: o “Negão”, que vive sozinho pelas bandas de lá. Diz a lenda que houve um surto de meningite no início do século XX, matando muitas crianças. Então a população assustada abandonou suas casas e saiu do vilarejo deixando tudo para trás. Hoje restam apenas o que sobrou das casas, a igreja e o cemitério com muitos túmulos infantis. A Cidade Fantasma fica já do lado do Paraná (pois é… atravessando o rio naquele trecho já estamos no Paraná). Os antigos moradores volta e meia retornam ao local para fazer a manutenção e visitar as suas antigas casas.

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Outra atração da Cidade Fantasma é um mergulho nas águas cor de coca-cola do seu rio. Água gelada e revigorante. O rio passa pelo mangue e tem essa tonalidade devido a grande quantidade de matéria orgânica presente.

Outros passeio que é muito procurado é o para as cachoeiras. Há a trilha dos poços e outra opção para visitar uma pequena cachoeira. A trilha dos poços é bem grande, coisa de 8 km e a da cachoeira é bem tranquila.

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Para fazer esse passeio é obrigatório um monitor local. Você tem que ir até o posto de atendimento ao visitante e agendar o seu passeio. IMPORTANTE: o uso de tênis é obrigatório e para os desprevenidos eles emprestam calçados deixados por outros visitantes. Além disso, se paga uma taxa de R$ 25,00. Neste valor está incluso o monitor ambiental e o barco até o início da trilha. São uns 15 minutos de barco e mais uns 10 minutos de trilha. A trilha é bem tranquila e a cachoeira tem um poço bem gostoso para tomar um banho em suas águas cristalinas e geladas. Dependendo do guia ele vai falando sobre a Mata Atlântica, as plantas, árvores e bichos da região.

Outra coisa que é de encher os olhos, e a boca d’água, é a culinária e seu preço. Camarão no Cardoso é muito bem servido!!! Geralmente o Prato Feito vem arroz, feijão, farinha artesanal, peixe e camarão!!! Comemos muito próximo da casa onde ficamos num barzinho chamado Rancho dos Pescadores, onde a Dona Carmem comanda a cozinha. A comida é simples, caseira, mas DELICIOSA!!! Ela faz um PF de peixe com molho de camarão de ficar maluco. To até com água na boca de lembrar!!! E é muita comida!!! Você sai de lá com a gula e o bolso satisfeito, pois essa fartura foi apenas R$18,00 em pleno carnaval. Pra sobremesa ainda há brigadeiro e cocada caseira. Isso tudo de frente pro rio embaixo de uma amendoeira. Só sei que é um absurdo. Coisa de depois se esticar embaixo de uma árvore e apagar ouvindo o barulho da natureza e os cheiros do Cardoso, totalmente satisfeito: alma e corpo alimentados… felicidade sem fim!!!

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Próximo ao centro na pousada Recanto do Marujá há uma comida a kg em que você se serve a vontade por apenas R$23,00 em pleno carnaval!!! Com direito a muitos camarão, peixes, frango e uma comida bem saborosa. Querendo repetir se paga R$30, comendo a vontade. Mas o prato que a galera faz ninguém consegue repetir.

A cerveja e refrigerante que estava um pouco mais caro, R$5,00 a latinha. E para quem gosta de beber ainda há a bebida local do Cardoso chamada Cataia. Dizem que é o Whisky caiçara. A bebida é feita das folhas de uma árvore com o mesmo nome: Cataia.

À noite rola os famosos forrozinhos. No barzinho do centrinho se inicia às 16 horas e vai até às 21 horas. É um somzinho mais intimista, mas a ótima qualidade e repertório surpreendeu!!! Sanfona, viola, triangulo, zabumba e pandeiro tocando lindamente Dominguinhos, Gonzagão, Gil… repertório de admirar, dançar muito ou apenas curtir. E tudo isso a meia luz na beira do rio. É gostoso demais!!!

Mais tarde inicia-se o “furduncio” da ilha. No Recanto do Marujá tocam diversas bandas com repertório bem variado. Isso vai depender da época do ano. Todos dançando sob o som das bandas. Repertório mais variado possível. Só nesses momentos que lembrava que era carnaval. E depois de curtir esses shows com os amigos a volta é andando pelos caminhos encantados do Cardoso, ouvindo barulho de grilo, gargalhadas, o cheiro doce da mata, barulho de mar e aquele céu estrelado e inesquecível….. sorriso na alma…

Isso define a minha experiência na Ilha do Cardoso… louco pra voltar e ficar mais tempo… pois como disse no início… o difícil é querer voltar!!!

Esse post foi escrito pela De Palmas Turismo Alternativo.

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